Museu, parque, não seu ao bem ainda o que é, mas sei que lá abriga um grande acervo de obras de arte contemporânea, talvez seja até uma especie de oasis em meio ao caos e "feiura" (ao meu ver) da cidade, e com toda a alienação causada pela nossa rotina sem graça, talvez a psicodelia e a loucura (também ao meu ver) de Inhotim, nos aliene mais um pouco porém a ponto de perceber que vivemos nessa mesma rotina sem graça.

Esse paradoxo da vida cotidiana talvez pode ter sido percebido por Hélio Oiticica, filho de anarquistas e amante da pobreza, que juntamente com Neville D'Almeida foi autor do cosmococas.
Hélio Oiticica & Neville D’Almeida
Rio de Janeiro, 1937-1980; Belo Horizonte, 1941; vive no Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 1937–1980; Belo Horizonte, 1941; lives in Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 1937-1980; Belo Horizonte, 1941; vive en Rio de Janeiro
Cosmococas 1-5, 1973
À época em que residiu em Nova York, no início dos anos 1970, Hélio Oiticica trabalhou em parceria com o cineasta Neville D’Almeida na criação de instalações pioneiras, as Cosmococas [Programa in Progress, Quasi-Cinema]. Definidas então como “intervenções espaciais”, as obras constituem ambientes sensoriais com projeção de slides, trilha sonora e diversos elementos táteis. As Cosmococas dialogam diretamente com a ideia de quasi-cinema, que pretendia investigar a relação do público com a imagem-espetáculo, estimulando a liberdade criativa. Os trabalhos aqui apresentados foram nominados pelos artistas de Blocos-Experiências em Cosmococa, um programa em desenvolvimento, que só se completa com a presença do público, chamado não de espectador, mas de “participador”. Os slides que compõem as obras partem de desenhos usando cocaína que, para os artistas, se transformava em pigmento branco sobre imagens de livros, capa de discos, fotos e jornais com personalidades como Jimi Hendrix, Luis Buñuel, Yoko Ono, Luis Fernando Guimarães, Marilyn Monroe, Jonh Cage, entre outros.
Nesta galeria, concebida para receber em caráter permanente as cinco Cosmococas - Trashiscapes, Onobject, Maileryn, Nocagions e Hendrix-War -, o visitante é convidado a experimentar essas obras reconhecidas como marcos divisores na recente história da arte contemporânea e como símbolos de transgressão poética e de linguagem.
(http://www.inhotim.org.br/hotsites/inauguracao/uploads/obras/placa_apres.predio_150x150.pdf)
Na visita, me senti como uma criança, seja por brincar loucamente como numa viagem de ácido lisérgico, ou seja pelos doces que ficavam nos colchões após crianças serem apenas crianças nas instalações. Talvez me incomode lembrar das figuras do Jeff e do Gabriel de sunga na piscina do pavilhão, mas mesmo assim foi uma das melhores viagens em todos os sentidos da minha humilde existência.
Segue um video, com uma analise do pavilhão na tentativa de mostrar as sensações que me foram produzidas, ajudadas pela arquitetura do edifício:
Nenhum comentário:
Postar um comentário